Marcha “Menos Ódio Mais Moradia” leva 10 mil pessoas às ruas e dá início à campanha do MTST

Multidão ignorou a forte chuva do verão paulistano, partiu da praça da República e subiu a rua da Consolação até o escritório da Caixa Econômica Federal, na avenida Paulista

MTST conseguiu abrir diálogo e deve se reunir com o Governo Federal no próximo dia 6 de fevereiro, em Brasília

Cerca de 10 mil guerreiras e guerreiros do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto tomaram as ruas do centro de São Paulo no último dia 29 de janeiro para cobrar do poder público, em todas as suas esferas, a retomada dos programas habitacionais, mais investimento em políticas de moradia popular e o retorno do Ministério das Cidades — dissolvido sob o Governo Bolsonaro e, até então, responsável pela área de habitação social. A grande marcha também marcou o início da campanha “Menos Ódio Mais Moradia” do MTST, que pretende pautar a questão do déficit habitacional em detrimento da banalização do ódio, da repressão e da facilitação do acesso às armas. A luta defendida pelo MTST é contra o verdadeiro inimigo do Brasil: a desigualdade social.

As milhares de famílias, vindas de ocupações e núcleos de toda a Grande São Paulo, marcharam nesta terça-feira nas ruas para não dormir nelas amanhã. Muitas e muitos abdicaram de um dia de trabalho, “enforcando” o serviço ou a aula, saindo mais cedo ou entrando mais tarde porque precisam, e não porque quiseram. Dentre elas, a sergipana Cláudia Souza, que deu entrevista ao Brasil de Fato contando que “onde moro, por dois cômodos você paga 600, 700 reais [de aluguel]. Com um salário mínimo não tem como você pagar isso.”


Muita gente acha que a gente ocupa pra tomar o que é dos outros, e quando você conhece o movimento, você se apaixona por ele porque ele ajuda as pessoas. Quando você vem de outro estado é complicado porque a gente não tem família, não tem ninguém, e o movimento acolhe a gente como se fosse família, então quando a gente entra no movimento, a gente se apaixona.

Uma das bandeiras levantadas pelos manifestantes foi o fim da criminalização dos movimentos sociais, que vêm sendo atacados nos últimos tempos e chegando ao cúmulo de terem suas ações comparadas ao terrorismo. “Aqui não tem terroristas, tem pessoas que não podem pagar o aluguel no final do mês”, discursou o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, antes de citar que o verdadeiro terrorismo no Brasil foi praticado pela companhia Vale, responsável pela catástrofe em Brumadinho, interior de Minas Gerais, que levou à morte centenas de inocentes. Outro ponto que foi alvo de protestos era o decreto sancionado pelo Governador João Doria (PSDB), que endurece a lei para manifestações de rua e possui, inclusive, trechos apontados como inconstitucionais por juristas.

O ato sofreu atraso devido ao temporal que desabou sobre São Paulo e molhou a multidão que coloria a praça da República de vermelho. Mesmo sob a forte chuva, as pessoas não arredaram o pé e, por volta das 16h30, começaram a caminhada que subiu a rua da Consolação e chegou à avenida Paulista pouco antes das 18 horas. Ali, uma comissão do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto foi recebida pela superintendência da Caixa Econômica Federal — banco público que financia as obras de habitação por meio do programa Minha Casa Minha Vida. Desde o golpe parlamentar que depôs a ex-presidenta Dilma Rousseff, os investimentos em moradia caíram drasticamente no Brasil. A previsão no orçamento federal para o Minha Casa Minha Vida em 2019 é 25% menor do que o montante investido no ano passado.

Como resultado imediato do ato, o MTST conseguiu abrir diálogo com o novo Governo Federal e deixou a Caixa Econômica com uma reunião agendada para a próxima semana, no dia 6 de fevereiro, em Brasília, quando representantes do movimento, do banco federal e do poder público vão se sentar para discutir a questão da moradia. O MTST salienta que, atualmente, o Brasil possui mais de 6 milhões de pessoas sem acesso à moradia digna — direito social garantido na Constituição Federal.

MTST, A LUTA É PRA VALER!

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