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Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto

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Fincamos nossa bandeira nas terras do Distrito Federal!

Submitted by mtst on qui, 22/07/2010 - 12:31
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Dia 20 de Julho, terça feira, tomamos o saguão do Ministério das Cidades, e lá acampamos. Mais uma batalha por direitos que são nossos, por condições melhores de vida. Fomos recebidos pelo Ministro das Cidades, pela Secretária Nacional de Habitacional e pelo Secretario de Programas Urbanas.

Nos atenderam. Nos ouviram. A Luta, a resistência e a mobilização cumpriram seus objetivos. Depois de tanto caminhar e de ser expulsos, jogados de um canto para o outro, despejados e sem ter pra onde ir, nos reunimos com aqueles que traçam os planos onde entramos somente como números. Desta vez, entramos como gente, gente brava, gente que se organiza.

O resultado das negociações foi positivo. Houve um comprometimento claro por parte do Ministro de garantir a todas as 600 famílias moradias. O Ministério buscará com a Terracap e com a Gerência de Patrimônio da União possíveis áreas para a construção das unidades habitacionais, e a CODAB realizará o cadastramento das famílias e analisará – a partir dele – quais são as possibilidades de atendimento colocadas. O MTST buscará entidade cadastrada e habilitada para seguir como gestora do projeto que deve ser implementado pelo programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades.

O Ministro assumiu este compromisso em assembléia, com todo o povo que lá estava depois de percorrer a longa jornada que separou o despejo em Brazlândia do auditório do Ministério. Para nós é uma vitória. Do chão de Brasília ressurge a memória dos “candangos” nas lutas de agora. As lutas daqueles que constroem palácios e cidades inteiras sem ter um lugar para viver que possam chamar de seu.

Estamos contentes! Não pararemos de lutar até que as promessas se tornem realidades, e até que vejamos a riqueza que os trabalhadores produzem todos os dias ser por eles usufruída, numa vida melhor e mais justa.

Queremos compartilhar este momento, está primeira vitória no Distrito Federal, com todos os companheiros e companheiras dos sindicatos combativos que conosco estiveram, dos partidos de esquerda que ainda acreditam mais nas ruas do que nas eleições (embora também façam destas um campo de batalha), das centrais de luta que tentam reaglutinar o sonho dos trabalhadores unificados e, numa menção especial, com nossos companheiros e companheiras, irmãos e irmãs de todos os movimentos populares que junto conosco brigam dia a dia para pôr de pé a Resistência Urbana.

Com vocês, estamos menos sós. Com vocês partilhamos as derrotas e a indignação assim como hoje partilhamos a alegria de mais um passo rumo a construção do Poder Popular.

Criar! Criar! Poder Popular!

Daqui não saio, daqui ninguém nos tira!

Submitted by mtst on ter, 20/07/2010 - 13:55
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Hoje, 20 de Julho de 2010, confirmaram-se os boatos que ontem fizeram com que nos movêsse-mos até a sede administrativa da Terracap: O despejo veio. Veio com a truculência de quem não quer conversa, de quem não se importa, de quem não dá a mínima para o fato de serem famílias inteiras de seres humanos e não animais os que ocupavam a área que agora está de novo livre para não servir pra nada, livre para não produzir nada. Não apenas um despejo, um outro se seguiu. O que nos retirou do prédio da Terracap onde manifestávamos nossa revolta pacificamente e onde buscávamos uma alternativa diferente de apenas ser lançado no olho da rua. Novamente a truculência foi a linguagem que substitui qualquer negociação decente. Centenas de famílias agora caminham, enquanto escrevemos este comunicado, algumas apenas com a roupa do corpo – tudo o que o tempo concedido pela polícia lhes permitiu retirar de seus barracos. Caminham rumo ao edifício da Terracap, onde nos manteremos do lado de fora. Carregam, no entanto, essas famílias, o que de mais valioso possuíam, carregam a dignidade de quem ousa, a coragem de quem não apenas espera e a força de quem luta e constrói com a força dos próprios braços, somados a outros de irmãos e irmãs, o dia que vem. “Não haverá negociação enquanto estiverem no terreno!” dizia o engodo do Sr Rogério Rosso, governador. Agora também o engodo está provado, não há negociação alguma, alternativa alguma, solução alguma. Há policiais a nos rodear, há famílias sem suas coisas e coisas por aí, jogadas como lixo sem seus donos. Mas há também nossa perspectiva, isso há. Nos manteremos aqui enquanto pudermos, exigiremos tudo deste governo que não concede nada. Concessão, não! A terra é pública, deveria ser nossa. Por ela lutaremos e esperamos, aqui, diante deste edifício, a solidariedade de todos e, se preciso for, a coragem de todos para o confronto que poderá vir, não por vontade nossa; se vier será pela absoluta e completa falta de alternativa. A culpa e a responsabilidade pelo que pode vir a acontecer está nas mãos do Sr. Rogério Rosso, governador e do Sr. Dalmo, presidente da Terracap. Edson (61) 8195-6510 Zezito (61) 8198-7078

Permaneceremos!!!

Submitted by mtst on seg, 19/07/2010 - 18:27
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Desde Sexta Feira, nós do MTST, ocupamos com centenas de famílias organizadas e que necessitam de moradia, um terreno da Terracap, empresa estatal que administra as terras públicas no Distrito Federal. Ocupamos porque não é mais aceitável que o povo viva em buracos enquanto terrenos públicos são mantidos por décadas vazios ou são amigavelmente cedidos a grandes empresas que – mais do que nós, famílias de trabalhadores pobres – por eles deveriam pagar. Sim, nos mobilizamos e nos manteremos mobilizados até que nossa voz, sempre abafada pelos poderosos se faça ouvir e faça com que nossos direitos sejam realidades concretas em nossas vidas. A ameaça de um despejo iminente e ilegal, sem liminar, sem mandado, nos fez seguir em luta até o prédio da administração da Terracap, onde agora estamos. Aqui, nos deparamos com os homens do poder sem suas máscaras eleitorais: O presidente da Terracap, Sr. Dalmo, diz que nada pode fazer. Quem pode então? O Governador, Sr. Rogério Rosso, do PMDB, diz que não há negociação enquanto estivermos acampados. Acaso não foi essa ocupação que nos tirou da invisibilidade? Se queria ele negociar sem ocupação, porque não o fez? Porque esperou que nossa necessidade nos levasse ao extremo de nos estabelecer precariamente em barracos de lona para agora dizer isso? Ou será este só mais um truque para que, uma vez despidos de nossa única força, a pressão, venha este estado nos aniquilar a esperança de uma casa nossa? Sem confiar nas vãs promessas e nas palavras de homens que tanto nos procuram nesses tempos de eleição e que depois de entronados nos esquecem, decidimos permanecer. Permaneceremos na Terracap até onde nossa resistência de homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras desarmados nos permitir. Permaneceremos no terreno até enquanto nosso sonho de uma vida melhor e mais justa nos alimentar a força da resistência. Toda a sociedade deve saber que nos governam homens insensíveis, que fecham os olhos à dureza da vida dos trabalhadores e seus direitos e aos desmandos dos grileiros que – estes sim – mantém-se ilegal e impunemente em terras que deveriam ser do povo, que delas precisa e que a elas dá função social real. A luta está apenas começando e do chão de nossa capital federal e de suas cidades satélites, tão marcado pelo esforço do trabalho de tantos migrantes que aqui trabalharam e até morreram, erguemos a nossa luta por um dia melhor. Nenhum governador será capaz de nos calar agora que aprendemos o caminho que nossas vozes devem seguir para ecoar para além de nós, para o amanhã, que pertence aos trabalhadores.
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