VAMOS: O Futuro da Esquerda no Mundo

Por Brigada de Comunicação

Teatro Oficina, símbolo histórico, lotou para o evento do VAMOS

Neste domingo, 12 de novembro, o Teatro Oficina, em São Paulo, recebeu o debate do “Vamos” com as presenças internacionais do Professor Boaventura Santos, da universidade de Coimbra, Portugal, e do representante do Podemos, da Espanha, Rafael Mayoral, além da fala de Maria Matias, do bloco de Esquerda, por vídeo-conferência. No sábado anterior, os dois pensadores conheceram a ocupação Povo Sem Medo de São Bernardo e partilharam experiências sobre movimentos sociais.
Iniciando a atividade, dois representantes do Teatro Oficina, de forma emocionada, argumentaram sobre a luta pela manutenção do projeto arquitetônico do espaço, feita por Lina Bo Bardi, processo que envolve o empresário e apresentador Silvio Santos — que deseja a construção de um empreendimento imobiliário que prejudicaria a estrutura do local. Haverá, nos próximos dias, um ato pela defesa do teatro contra esse problema de especulação imobiliária.
Em seguida, Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST, fez a abertura do debate e reforçou a importância da atividade para a construção coletiva de um novo projeto e país, algo com a união das esquerdas e que seja o início de um novo ciclo para o futuro, com a participação popular de forma efetiva.
“É preciso debater uma nova proposta de país com muita luta. É preciso pisar no barro e estar na periferia (…) É a mobilização continuada”.
Acrescentou que o Teatro Oficina pode contar com o apoio do MTST contra a especulação imobiliária que afeta, também, os espaços de cultura deste país.
Rafa Mayoral, do Podemos espanhol, afirmou que a democracia sofreu um abatimento em todo o mundo devido a uma sequência de ataques neoliberais, com perdas de direitos sociais e ataques aos direitos civis e políticos e que, inclusive em seu país, rappers têm se explicado judicialmente devido a suas letras contestadoras. Citou ainda que as ditaduras militares na América Latina fizeram com que os países se tornassem “laboratórios” de práticas neoliberais e que esse sistema é contra a liberdade e a democracia, uma vez que ataca organizações sindicais e impede trabalhadores e trabalhadoras de lutarem por seus direitos. O espanhol ainda reforçou que sem democracia não há direito à alimentação, cultura e moradia.


O deputado europeu frisou que, frente às ameaças à democracia e à liberdade, é importante que se defenda a Declaração dos Direitos Humanos, um documento que abraça a luta pelos direitos plenos de todos e todas.
Por vídeo-conferência, Maria Matias, deputada representante de Portugal no parlamento europeu, abordou a necessidade das esquerdas superarem suas diferenças de fundo ideológico para lutarem contra uma ameaça maior. Dessa forma, elas conseguiram dar sustentação parlamentar ao governo de Antonio Costa, primeiro-ministro socialista português.
Matias reforçou que o fato de se elaborar uma agenda centrada em questões primordiais dos trabalhadores e a manutenção do programa público de seguridade social — leia-se aposentadoria –, fez com que todos se unissem. Assim, Portugal diminuiu o empobrecimento, aumentou o salário mínimo, repôs cortes em aposentadorias, taxou mais o capital e aliviou impostos dos trabalhadores.
Finalizou dizendo que é possível essa união de esquerdas no Brasil e assim, vencer todos os retrocessos.
Professor Boaventura Santos afirmou que a crescente neoliberal se deu, em todo o mundo, pela ausência de uma alternativa real à esquerda, o que possibilitou que as elites atuassem livremente para a destruição de direitos sem resistência. Ele questiona como foi possível tanto retrocesso político e social sem que houvesse resistência alguma, e que as reformas do governo Temer colocam em risco não apenas as conquistas sociais, mas também outros avanços possíveis em oito décadas.

Um dos erros das esquerdas foi desconsiderar que a luta anticapitalista também é anticolonial e antipatriarcal pois, as contradições não são apenas de classe, mas se manifestam no racismo e no sexismo.

Boaventura defendeu que as mulheres são força inovadora e de ação transformadora na política. Também citou a Marcha do MTST até o Palácio dos Bandeirantes, forçando uma negociação do Estado e que ali estava um “povo sem medo” — o que intimidou o governo local. Finalizou dizendo que é preciso um pé na luta institucional e política e outro junto aos movimentos populares.
Aberta a palavra livre, o público reforçou a luta anticapitalista para combater os retrocessos e a importância da mulher em defesa de uma sociedade mais justa para todos e todas.
O evento terminou com o pedido para que a plataforma do “Vamos” seja acessada e, assim, as propostas possam ser votadas de forma democrática dando continuidade a segunda fase de elaboração dos debates.
É para mudar! VAMOS juntos!

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