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Movimento negro cobra punição a guardas do Metrô de SP que agrediram imigrantes africanos

Caso aconteceu na estação República, quando funcionários do metrô atacaram três pessoas de origem africana com golpes de cassetete; grupo fez ato na catraca da estação

Foto por Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

“Metrô racista!”. O grito ecoou na estação República do Metrô, no centro de São Paulo, na noite de sexta-feira (6/10), exatamente uma semana desde a agressão de seguranças do local agredirem três pessoas negras de origem africana. O ato reuniu cerca de 150 pessoas para cobrarem a demissão dos guardas que atacaram os irmãos Shakiro e Ulabin Akanbi, de origem nigeriana, e a camaronesa Judith Caielle. A cabeleireira estava presente no ato e agradeceu.

“Estamos aqui para mostrar que toda vez que um preto ou preta forem agredidos nós resolveremos em conjunto. Metrô racista!”, continuaram. “Exigimos a demissão dos agressores, criminosos, assassinos, capitães do mato covardes”.

Foto por Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo
Foto por Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

“Obrigada pelo apoio. Ninguém pode ter vergonha do que é. É negro, orgulhamos da nossa cor. Temos que nos amar, nos unir para ir adiante. Só isso”, disse. No dia 28/9, Shakiro e Ulabin passaram pela catraca da República e, segundo Shakiro, ele voltou para passar seu bilhete a um outro homem que estava sem dinheiro. Isso teria motivado a ação dos seguranças.

“Nós passamos pela catraca, um outro homem negro não conseguiu porque não tinha dinheiro nem bilhete para passar. Fui passar o meu e o segurança já veio xingando: ‘Africado folgado’. Ele começou a bater com o cassetete, ela [Judith] só estava passando e foi ver o que estava acontecendo e outro segurança começou a bater nela”, conta.

Foto por Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Em vídeo divulgado pela Ponte Jornalismo, Judith mostra o ferimento na cabeça causado pela ação dos guardas do Metrô. Ela estava com um curativo na testa durante o ato, ainda em decorrência da agressão. “Eles foram covardes”, conta Marc Elie Pierre, imigrante haitiano que também presenciou a violência. “Não podemos deixar que isso aconteça, temos que nos unir”, diz o professor e tradutor de francês, morador de São Paulo há oito anos.

Foto por Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

A advogada Lenny Blue de Oliveira esteve com o trio na Delpom (Delegacia de Polícia do Metropolitano). Segundo ela, a delegada os atendeu mal e deu pouco valor às agressões. “Não assinamos o B.O. porque ele não mostrava a realidade. Não foi um ato isolado, foi racismo. Quem bate na cabeça de outra pessoa é para matar”, conta.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte

O ato na República teve início na parte exterior da estação. Com o grupo reunido, teve início a caminhada até a catraca na qual houve a agressão dos seguranças. Eles entregavam panfletos denunciando o caso para as pessoas que saíam ou entravam no metrô, principalmente para os negros com a intenção de “conscientizar”.

Foto por Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

“Esta fato prova que o Brasil e o Metrô não aceitam os pretos”, gritavam os manifestantes em coro. “Estamos aqui para mostrar que toda vez que um preto ou preta forem agredidos nós resolveremos em conjunto. Metrô racista!”, continuaram. “Exigimos a demissão dos agressores, criminosos, assassinos, capitães do mato covardes”.

Foto por Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

 

 

Por Arthur Stabile

Fonte: Ponte Jornalismo

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