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Mídia esconde históricas manifestações do 8 de Março no Brasil e no mundo

Fonte: Esquerda Diário

Manifestação gigantesca em Madri, na Espanha | Foto por Carlos Rosillo

Milhões foram às ruas em todo o mundo. Só no Estado Espanhol, estima-se mais de 5 milhões de mulheres e homens envolvidos nas manifestações e na greve. Na Argentina uma grande manifestação ocorreu em Buenos Aires e em mais de 150 países, entre manifestações e greves parciais as mulheres ergueram um grito que pode fazer a terra tremer.

No Brasil em muitas cidades e capitais, ruas foram fechadas em meio ao típico roxo do movimento de mulheres. Mas a mídia brasileira escolheu não ouvir.


Manifestação de São Paulo, na foto o bloco do grupo de mulheres Pão e Rosas, e a secretaria de mulheres do Sindicato de Trabalhadores da USP

As capas de todos principais portais do país, escondem as imensas manifestações. Do outro lado do Atlântico, o espanhol El País fala em “manifestações sem precedentes”, invadido pela necessidade de dialogar com um movimento de massas não restou opção ao jornal de Madri (que é muito menos “progressista” do que tenta se vender no Brasil, sendo firme apoiador do governo central enquanto esse reprimia a Catalhunha, por exemplo).

E aqui a Folha, no Estadão, no O Globo, UOL e Globo.com, as manifestações nem constam em nenhum dos destaques até as 19:40 do 8M, momento de fechamento desta matéria.

Mal existe menção ao dia de luta das mulheres nestes portais, a menção quando existe, é no tom entrega de bombons e flores, como destaca O Globo com os militares no Rio de Janeiro entregando flores em meio a repressão da intervenção federal.

Veja imagens de alguns dos portais mencionados:



No Brasil a data esteve marcada pela luta de professoras que entraram em greve na cidade de São Paulo e no Estado de Minas. Nem mesmo a gigantesca assembleia das professoras paulistas recebeu mísera menção jornalística.


Assembleia de professores em São Paulo

Na Avenida Paulista milhares se reúnem e enquanto isso ocorrem manifestações em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e outras capitais. E um ensurdecedor silêncio se ouve na mídia.

Não parece que o Brasil é um país campeão em mortes de mulheres por violência machista, que milhares morrem ano a ano por abortos ilegais. Não, para a mídia o “feminismo” só vale quando for para vender “empreendedorismo”, como ilustrou em ridícula capa “sobre a vocação empreendedora” no dia de hoje um jornal regional, do ABC paulista, ocultando as terríveis taxas de desemprego que assolam a região, acometendo em primeiro lugar as mulheres, os negros, os jovens.

Em mais de 150 países, as mulheres decidiram convocar a Segunda Greve Internacional – sendo a primeira no ano passado – rebatendo os Estados e o empresariado através do mote “se nossas vidas não valem, produzam sem nós”.

O movimento de mulheres da Argentina foi um dos que deu pontapé inicial quando, em 2015, respondendo aos feminicídios e a violência machista com a campanha por #NiUnaMenos (Nem uma a Menos) que mobilizou mais de um milhão de pessoas em todo o país.

Essas mobilizações seguiram se desenvolvendo e foram gestando assembleias de organizações e ativistas feministas, sindicais, sociais, da esquerda política que organizaram esta #GreveInternacionaldeMulheres.

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