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Mais uma vez a Justiça tira sua venda

Na terça, 6 de fevereiro, por cerca de 3 horas a comunidade do Jardim Amália, familiares e a Frente Povo Sem Medo estiveram, junto a aliados, em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda.

Foi um dia de luta, mas também um dia muito triste. Mais uma vez a Justiça brasileira mostra seu total descaso com o povo pobre e preto da periferia.

A Justiça manteve a sua decisão: Wlaedson, um jovem 19 anos, sem passagem, sem vícios, INOCENTE, deverá continuar na prisão. Seu crime? Usar camiseta rosa, (mesma cor de camiseta do ladrão que a polícia perseguia), morar na periferia, ser negro.

Já são 70 dias de uma imensa dor para Wlaedson e todos ao seu redor. Uma dor irreparável. Nenhum de nós será o mesmo ao final de tudo isso; já não somos.

O Brasil é o 4º país do mundo em população carcerária — mais de 600 mil presos. Quatro em cada 10 presos não foram julgados; 55 % desses serão inocentados. A imensa maioria dos presos cometeram delitos de pouco potencial de violência: tráfico, roubos, furtos. Os crimes de homicídio e os chamados “colarinho branco” pouco são investigados e punidos no Brasil. Muitos deles com provas, gravações, malas de dinheiro. No entanto, os ricos, os governantes, os empresários, brancos não são punidos.

A polícia e a Justiça assumem um carácter anti-povo. Seu papel é apenas de controle social. Wlaedson é mais uma vítima de uma dama que recorrentemente tira a sua venda e aponta para o pobre. Um caso embemático pelo absurdo da situação: 15 minutos antes de ser acusado de roubo estava na casa de sua mãe fazendo as tarefas da casa, foi preso dentro da casa de um vizinho, diversas testemunhas comprovam sua INOCÊNCIA; o que levou a sua prisão foi a cor de uma blusa.

Um caso emblemático e, por assim ser, recorrente e revoltante.

O juiz do caso se comprometeu a reavaliar sua decisão após a citação. Lutaremos para que a liberdade de Wlaedson seja garantida ainda que tardiamente.

Não descançaremos, não esqueceremos, não nos cansarão.
#LiberdadeaWlaedson

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