Índios Guarani ocupam entrada do prédio da Presidência na capital paulista

Fonte: Agência Brasil

Por Daniel Mello

São Paulo – Índios Guarani ocupam portaria do prédio da Presidência da República, na Avenida Paulista | Daniel Mello/Repórter da Agência Brasil

Um grupo de índios Guarani ocupou na manhã de hoje (30) a entrada do prédio onde fica o escritório da Presidência da República na Avenida Paulista, região central da capital. Eles protestam contra a decisão do Ministério da Justiça que anulou a demarcação da Terra Indígena do Jaraguá, na zona norte da cidade.

“Não sairemos daqui até que seja revogada a Portaria 683 do Ministério da Justiça, que rouba nossos direitos sobre nossas terras tradicionais no Jaraguá. Temos mais de 700 indígenas, a maioria crianças, vivendo em cinco aldeias na Terra Indígena Jaraguá, 600 guaranis serão despejados com essa decisão genocida”, diz o comunicado divulgado pela Comissão Guarani Yvyrupa sobre a ação.

A portaria que anulou o estabelecimento da reserva foi publicada no Diário Oficial no último dia 21. O Ministério da Justiça alegou um erro administrativo para desfazer a ampliação do território realizada em 2015. A área homologada em 1987 é a menor terra indígena do Brasil, com 1,7 hectare e havia sido expandida para 512 hectares. A atual gestão do Ministério da Justiça diz, no entanto, que a extensão correta é de 3 hectares.

A revogação é uma ação sem precedentes, segundo Thiago Henrique Karai Djekupe, uma das lideranças do movimento. De acordo com ele, a ampliação da área feita em 2015 era uma reparação devido às injustiças cometidas no processo de delimitação do território Jaraguá. “A gente vem enfrentando do governo federal algo inédito: eles estão revogando uma portaria de demarcação do nosso território. Isso porque o nosso território foi demarcado em 14 de abril de 1987, levando em consideração só os grileiros e a especulação imobiliária”, disse.

Disputa

O governo do estado de São Paulo também contesta na Justiça a demarcação por se sobrepor, em parte, ao Parque do Jaraguá.

“A paisagem urbana que circunda o PEJ [Parque Estadual do Jaraguá] exerce pressão constante sobre seus limites, e somente com fortes ações de comando e controle é que a proteção pode ser assegurada no território. A reprodução cultural indígena só será efetiva e garantida se houver permanência do regime jurídico de maior proteção, que é na forma de UC [Unidade de Conservação] de Proteção Integral”, diz a argumentação que embasa a ação judicial movida pelo governo estadual e que também foi usada nas alegações do Ministério da Justiça para revisar a área.

Ainda na semana passada, o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou para o ministro da Justiça, Torquato Jardim, um pedido de explicações sobre a revogação da reserva indígena do Jaraguá. Para a procuradoria, a decisão não poderia ser tomada sem que as ações que questionavam a criação da terra indígena tivessem todos os recursos esgotados.

A assessoria de comunicação da Presidência da República informou que foi solicitado à Polícia Militar que fizesse a segurança do prédio, por se tratar de um edifício público. No início da tarde, policiais conversaram com os manifestantes para se informar sobre a duração e dimensão do protesto. A Presidência não se pronunciou, no entanto, sobre as reivindicações dos ocupantes.

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