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Entrevista ao Band Eleições | É preciso lutar contra privilégios brutais, defende Boulos

O candidato do PSOL à presidência da República foi o entrevistado no Band Eleições desta semana e afirmou não ser radical

Guilherme Boulos disse que a Petrobras passa por um processo de ‘privatização velada’ | Foto por Sarah Alves/Portal da Band

O pré-candidato do PSOL à presidência da República, Guilherme Boulos, foi entrevistado no Band Eleições nessa segunda-feira, 4, e a necessidade de “mexer nos privilégios” dos mais ricos para minar a desigualdade social no Brasil. “A realidade brasileira é profundamente radical. Lutar por igualdade de oportunidade é o que eu defendo, lutar por enfrentamento aos privilégios brutais que existem no nosso país”, afirmou durante a sabatina.

Boulos, que soma 1% nas pesquisas de intenção de voto, garantiu não ser um candidato radical, mas que apenas não abrirá mão de explanar princípios e abordar certos assuntos durante a corrida pelo Planalto, prática que considera recorrente em campanhas classificadas por ele como “de marqueteiros”.

“Hoje há uma desesperança incrível, quase uma depressão política, uma crise de representação, quase que um abismo, com Brasília de um lado e o Brasil real de outro”, disse. “E o modo que se convencionou de fazer campanha eleitoral no Brasil, de você baixar bandeiras, abrir mão de princípios para se tornar convincente para certo setor, ajudou a produzir a desesperança”, completou o presidenciável.

“Lutar por igualdade de oportunidade é o que eu defendo, lutar por enfrentamento aos privilégios brutais que existem no nosso país”

O político filiado ao PSOL também repercutiu a greve dos caminhoneiros e afirmou que a Petrobras passa por um processo de “privatização velada” ao criticar a política de preços vigente na estatal. “O que o Pedro Parente e o Michel Temer fizeram na Petrobras, com essa política de preços que se iniciou em julho do ano passado, é um crime contra o povo brasileiro”, afirmou.

“Se cai um avião na Arábia Saudita, amanhã aumenta o preço do combustível em São Paulo”, disse. Para ele, a política foi feita intencionalmente para diminuir o tamanho da estatal brasileira e fazer com que as petroleiras estrangeiras possam “entrar mais” no Brasil, “favorecendo a importação e desmontando a empresa”.

“Ocupação é uma forma de pressão legítima de fazer com que o poder público cumpra o seu papel como está previsto em lei e direcione propriedades ociosas para a finalidade de moradia popular”

Boulos disse que mesmo com a evidente prova de corrupção durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, as mudanças na gestão após a saída da petista trouxeram a redução na capacidade interna de refino, com a intenção de se “exportar petróleo cru e importar derivados”.

Ocupações e nova política

O candidato, que ganhou notoriedade como líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), defendeu as ocupações e afirmou que elas são resultado do “descumprimento sistemático da lei”. “A ocupação é uma forma de pressão legítima de fazer com que o poder público cumpra o seu papel como está previsto em lei e direcione propriedades ociosas para a finalidade de moradia popular.”

“Ninguém ocupa um imóvel abandonado porque quer, as pessoas ocupam por falta de alternativa. Hoje no Brasil, muita gente todo final do mês tem que fazer a dura escolha entre pagar o aluguel ou botar comida na mesa”, completou.

Por fim, Boulos falou que o Brasil passa por uma crise que excede os temas políticos e econômicos e que é o representante capaz de trazer a abordagem política por um novo espectro. “Dá para se fazer política não governando com máfias, mas governando com pessoas. Nós temos que reaproximar o poder das pessoas”, disse.

Assista abaixo a entrevista na íntegra

 

Fonte: Band

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