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Ao Governo de SP, movimentos sociais cobram demissão do comandante da Rota

Fonte: Ponte Jornalismo

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Entidades de direitos humanos cobram resposta do secretário de Justiça sobre falas de Mello Araújo; em entrevista, ele defendeu abordagens diferentes em bairros nobres e na periferia da capital

Mello Araújo (à esq.) e Magino Alves Barbosa Filho na posse do comandante, em agosto de 2017 | Foto: Divulgação/SSP-SP

Integrantes de movimentos sociais formalizaram em reunião com o o secretário da Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, o pedido de demissão do comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), o tenente-coronel Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo. A ação é motivada por declaração feita pelo oficial em agosto do ano passado, na qual citava abordagens diferentes à pessoas nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, e feitas na periferia da capital. Entre as entidades e organizações participantes estão a Frente Alternativa Preta, Condepe, Conectas, Centro de Direitos Humanos do Sapopemba, Movimento Nacional de Direitos Humanos e Ação dos Cristãos.

Em entrevista exclusiva ao repórter Luis Adorno, do portal UOL, no dia 24 de agosto de 2017, Mello Araújo defendeu atuações diferentes por parte dos policiais quanto às áreas de serviço. “É uma outra realidade. São pessoas diferentes que transitam por lá. A forma dele abordar tem que ser diferente. Se ele [policial] for abordar uma pessoa [na periferia], da mesma forma que ele for abordar uma pessoa aqui nos Jardins , ele vai ter dificuldade. Ele não vai ser respeitado”, explicou o tenente coronel. As declarações renderam protestos.

Durante a conversa entre os movimentos e o secretário, que aconteceu na tarde desta sexta-feira (2/2), os ativistas apontaram a fala do comandante como uma liberação para a tropa agir de forma truculenta nos extremos da cidade e afirmaram que a Rota “é conhecida como tropa violenta”. O secretário respondeu que o pedido deve ser encaminhado e estudado pela SSP (Secretaria da Segurança Pública), chefiada pelo secretário Mágino Alves Barbosa Filho. De acordo com participantes da reunião, Rosa ainda disse admite as críticas.

A Ponte entrou em contato com o comandante da Rota. “Não estou sabendo de nada. Estou trabalhando aqui firme e forte, realizando as operações como sempre. Como hoje de tarde, fizemos uma boa prisão de garotos de 14 anos por roubo ao carro, uma ocorrência bonita”, declarou Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, em breve conversa por telefone com a reportagem, mas sem dar detalhes desta ação específica.

Ainda no ano passado, Mello Araújo recebeu o presidenciável Jair Bolsonaro na sede da tropa. Policiais reverenciaram o oficial da reserva do exército e deputado federal. No mês passado, o comandante prometeu processar o coronel da PM Diógenes Lucca, que chamou de “bandidos” os oficiais da Rota por rondarem em São Paulo com viaturas de luzes apagadas. Alguns dias depois, Lucca chegou a pedir desculpas pelas redes sociais. “Eu peço desculpas pela imprecisão das minhas palavras, que levaram as pessoas a interpretar o significado do que eu queria dizer de uma forma totalmente diferente do meu objetivo”, disse em vídeo postado na página pessoal dele no Facebook, no dia 16/1.

Questionada sobre a reunião, a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo apontou que o secretário Mário Fernando Elias Rosa não recebeu documento oficial e “em momento algum declarou ‘compactuar’ com as reclamações do grupo”. “Na audiência, os representantes mencionaram que documento a respeito foi entregue no ano passado à Secretaria da Segurança Pública”, respondeu a assessoria de imprensa da pasta, apontando que Rosa comprometeu-se apenas a auxiliar os ativistas quanto ao pedido de reunião com a SSP, pasta “à qual a questão afeta”.

Por outro lado, a Ponte enviou questionamentos para a SSP-SP, por meio de sua assessoria de imprensa terceirizada, a CDN Comunicação. Às 21h15 desta sexta-feira (2/2) a pasta apontou que não recebeu “nenhum documento a respeito do pedido de demissão do comandante da Rota, Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo” enviado por movimentos sociais e entidades de direitos humanos.

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