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Ahed Tamimi: o símbolo de uma Palestina livre da opressão israelense

Fonte: Sul21

* Por Samir Oliveira

Petição pela libertação de Ahed Tamimi já conta com quase 300 mil assinaturas em seu apoio

Ativistas do mundo inteiro replicam nas redes sociais a história de Ahed Tamimi, uma jovem palestina de 16 anos que foi detida na madrugada do dia 19 de dezembro por militares israelenses. Seu crime? Ter dado um tapa em um soldado fortemente armado após seu primo ter levado um tiro de bala de borracha à queima roupa na cara – que o deixou em coma induzido por 72 horas – durante um protesto contra a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

O soldado que atirou no primo de Ahed Tamimi está solto. Enquanto ela, uma garota de apenas 16 anos, está presa e sendo julgada por uma corte militar, acusada de agressão, de “interferir com os deveres de um soldado” e de atirar pedras em militares.

A verdade é que Ahed Tamimi se converteu no símbolo da combativa resistência palestina à ocupação israelense. Natural do vilarejo de Nabi Sahih, localizado 20 km a Noroeste de Ramallah, a garota vem de uma família de ativistas. Há tempos Ahed está na linha de frente de manifestações contra a ocupação e a construção de assentamentos ilegais em sua vila. Há, inclusive, um vídeo em que ela, visivelmente mais nova, confronta um soldado israelense.

Ahed Tamimi é uma ativista destemida, como muitas que vieram antes dela e como muitas que ainda virão. Seu caso tornou-se um incômodo para a imagem de Israel. Tanto é que ela foi detida não no momento em que deu um tapa no soldado, mas dias depois, somente após a cena de sua brava resistência ter sido divulgada na internet. Causou constrangimento ao regime colonial e militarista que a imagem de um soldado levando uma bofetada de uma menina de 16 anos circule pelo mundo.

A reação de Israel foi totalmente desproporcional. A mãe de Ahed também foi detida, acusada de incitar violência ao gravar e transmitir o vídeo na internet. Seus primos estão detidos e seu pai vem sendo intimidado pelas forças militares de Israel. Ahed já perdeu dois tios e uma tia pela força da repressão israelense. Sua reação, ao dar um tapa em um soldado, foi um ato de bravura e desespero de uma menina ao ver seu primo de 14 anos ferido à queima roupa.

A prisão de Ahed Tamimi acabou gerando uma onda de solidariedade internacional por sua libertação e pela liberdade de todas as crianças palestinas presas em Israel. A organização “Defesa Internacional das Crianças Palestinas” informa que aproximadamente 500 crianças palestinas são detidas todos os anos em Israel e julgadas por tribunais militares. Muitas delas esperam meses por um julgamento. A visibilidade do caso de Ahed Tamimi certamente contribuiu para a relativa celeridade de seu processo: após ter sua prisão preventiva estendida por diversas vezes, finalmente as acusações formais foram apresentadas na segunda-feira, dia 1.

Em um comovente desabafo, o pai de Ahed disse que sua filha não está interessada na notoriedade internacional que vem recebendo, apenas na liberação de seu país. “Minha filha tem apenas 16 anos. Em outro mundo, no seu mundo, a vida dela teria sido completamente diferente. No nosso mundo, Ahed representa uma nova geração do nosso povo, de jovens lutadores pela liberdade. Ela é uma das muitas garotas que no futuro irão liderar a resistência contra Israel. Ahed não está interessada nos holofotes, mas sim em mudanças efetivas”, disse.

Ao ser levada à Corte Militar na segunda-feira, Ahed mais uma vez impressionou o mundo com sua coragem. Ao ser questionada pelo juiz “Como você deu um tapa em nosso soldado?”, não hesitou em responder: “Remova minhas algemas que eu lhe mostro”.

O julgamento militar de Ahed Tamimi ainda terá prosseguimento, assim como a campanha global por sua libertação. Uma petição já conta com quase 300 mil assinaturas em seu apoio (https://secure.avaaz.org/campaign/en/free_ahed/). Um regime que encarcera meninas de 16 anos por se levantarem contra soldados fortemente armados que estão invadindo suas terras merece todo repúdio internacional. Liberdade para Ahed Tamimi, já!

 

* Samir Oliveira é jornalista e militante da Setorial LGBT do PSOL/RS.

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