A toque de caixa, privatizações de Doria são criticadas até pela base do governo

Fonte: Rede Brasil Atual

Vereadores já apresentaram projetos paralelos e alguns foram à Justiça para barrar ritmo de tramitação dos projetos

A gestão João Doria liberou, só neste ano, a concessão do Pacaembu, de alguns parques municipais, terminais de ônibus, do Bilhete Único, do Mercado Municipal e, na semana passada, os vereadores aprovaram o projeto para privatizar o Anhembi. O que chama atenção, no entanto, é a velocidade com que as concessões têm sido aprovadas, o que resultou em questionamentos da base parlamentar que compõe a base do governo.

O vereador Mario Covas Neto (PSDB) recorreu à Justiça contra o ritmo de tramitação de um dos projetos. Já a vereadora tucana e ex-secretária de Direitos Humanos da atual gestão, Patricia Bezerra, apresentou um projeto que pede a realização de um plebiscito para submeter as propostas de privatização à aprovação da população. Isso acontece porque a maioria dos projetos foi aprovada sem informações básicas como prazo de concessão, valores estimados, contrapartidas e cronogramas.

Américo Sampaio, coordenador da Rede Nossa São Paulo, criticou os projetos da gestão e afirmou que a prefeitura se baseia em duas premissas que não são verdadeiras. “A primeira é de que o setor privado faz uma gestão melhor do que o público. A segunda é de que a prefeitura precisa reduzir o seu tamanho, justificando que há setores não prioritários que podem ser repassados à iniciativa privada. Mas quem faz essa distinção? Quem define que serviço é essencial e não é?”, questiona, em entrevista ao repórter Victor Labaki, da Rádio Brasil Atual.

O vereador Antonio Donato (PT) diz que as concessões demoram um ano e meio para serem aprovadas. “Como ele não tem estudos, aprovou projetos genéricos, que são cheques em branco. Nós não temos estimativa de arrecadação, se será onerosa, o projeto é vago.”

A vereadora Sâmia Bomfim (Psol) afirma que Doria consegue imprimir uma velocidade recorde de aprovações distribuindo cargos e liberando emendas parlamentares, como aconteceu na privatização do Anhembi, em que a prefeitura cedeu à pressão da bancada religiosa para colocar eventos de igrejas no local.

“A aprovação é sempre precedida ou sucedida de um esquema de liberação de emendas ou cargos comissionados para a base do governo na Câmara. Essa agilidade tem a ver com a agenda eleitoral. Ele quer aprovar rapidamente para mostrar ao setor empresarial como o nome mais à altura para disputar as eleições de 2018”, diz Sâmia.

A justificativa da prefeitura para tanta velocidade na aprovação dos projetos é que os detalhes serão definidos depois que a gestão ouvir as propostas das empresas interessadas. A administração Doria diz que pretende lucrar R$ 7,5 bilhões com as concessões.

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