Prisão de Boulos atende a antigo pedido de DEM e PSDB

Não é de hoje que tentam criminalizar um dos mais jovens e ativos líderes sociais que desponta na luta por direitos no Brasil. Para registrar esse momento, Fórum disponibiliza texto sobre sua prisão em inglês e espanhol

Por Paula Simone, colaboradora da

Na manhã desta terça-feira (16) o líder do MTST – Movimento dos Trabalhadores sem Teto, Guilherme Boulos, foi preso durante a reintegração de posse na ocupação Colonial no bairro de São Mateus, zona leste de São Paulo, onde há mais de um ano 700 famílias, aproximadamente três mil pessoas, ocupam o local. O líder do movimento intermediava as negociações entre os trabalhadores e o governo do estado de São Paulo. Apesar do MTST não participar da ocupação Colonial, Boulos tentava uma alternativa que não levasse à violência.

A Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin (PSDB) chegou no local ao amanhecer e a Tropa de Choque se posicionou para cumprir o mandato. Apesar de deixar claro que buscava uma solução sem violência, Guilherme Boulos foi preso por desobediência civil pelo capitão da Tropa de Choque, que entendeu que o representante do movimento havia dificultado a operação.

Até o final da manhã de hoje, Boulos continuava preso no 49 ° DP – Departamento de Polícia do bairro de São Mateus.

Não é de hoje que tentam criminalizar o líder do MTST. Durante o processo de impeachment em 2016 da presidenta Dilma Rousseff, os partidos DEM e PSDB, este último que representa o governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, acusaram Guilherme Boulos de “incitação à violência” e executaram contra o líder dos trabalhadores uma representação judicial, numa tentativa de calar sua voz.

A declaração de Boulos durante o processo de impeachment de que “haveria resistência” foi o argumento utilizado por ambos os partidos para executar a acusação contra o líder. O ativista foi acusado até mesmo de “formação de milícia privada”, pelo DEM.

O Brasil vive atualmente, após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff uma onda de arbitrariedades contra os movimentos sociais, que pouco à pouco sofrem tentativas de sufocamento.

Guilherme Boulos tem 34 anos e desde 2002 atua como líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Estudou Filosofia, Ciências Humanas e Letras na Universidade de São Paulo (USP) e possui especialização em Psicologia. Hábil articulador nas negociações conquistou o respeito junto aos trabalhadores. O que faz de Guilherme Boulos um dos mais jovens líderes sociais que despontaram no Brasil nos últimos anos.

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