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GCM de Aracaju atinge com tiro de arma letal acampada do MTST Sergipe, que sobrevive e passa bem

Não tardou para a tragédia anunciada se concretizar. Na noite da sexta-feira, 11 de maio, um membro da Guarda Civil Municipal de Aracaju atingiu com um tiro de arma letal o peito de Nathannelly dos Santos, acampada da Ocupação Marielle e Anderson Vivem, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto na capital do Sergipe.

Nathanelly, que tem 18 anos, sobreviveu, foi operada e teve a bala retirada do corpo em cirurgia no Hospital Augusto Franco. Ela passa bem e não possui risco de morte. No momento do disparo, Nathanelly preparava o jantar na cozinha coletiva do acampamento. Há relatos de que guardas municipais foram até o hospital tentar reaver a bala desalojada, a prova do atentado.

MTST esclarece que, ao contrário do que vem sendo divulgado em parte da imprensa, Nathanelly não era gestante e, no momento do atentado, não acontecia nenhum tipo de protesto ou abordagem na ocupação.

Hostilidades, cerco e ameaças ao longo da semana

Desde a entrada do MTST no terreno abandonado pela prefeitura no bairro da Coroa do Meio, no dia 4 de maio, a Guarda Civil Municipal de Aracaju apostou no conflito e intimidação. O site do MTST já havia reportado o clima tenso montado pelo poder público no local: “Cerco policial, intimidação e agressões: MTST Sergipe resiste em terreno ocupado“.

No primeiro momento da ocupação, já chegou um efetivo absurdo no terreno, mais de 12 veículos da GCM. Ficavam o tempo todo ameaçando reintegrar, sem nenhuma liminar; colocavam os carros em posição de entrar na área, indo e voltando; fazendo baculejo, xingando, o tempo todo um ambiente muito hostil“, relata a advogada do MTST Sergipe, Izadora Brito.

Estabelecida e com cada vez mais pessoas, a Ocupação Marielle e Anderson Vivem resistiu sob as ameaças. Além das constantes revistas, a GCM manteve ao longo dos dias viaturas permanentemente estacionadas em frente ao terreno, vigiando os acampados 24 horas por dia com ostensivo contingente a postos para invadir.

Na segunda-feira, dia 7, a gestão do Prefeito Ednaldo Nogueira Filho (PCdoB) chegou a convidar o MTST para uma reunião em sua sede. Enquanto representantes do movimento eram recebidos por secretários, a GCM tentava reintegrar ilegalmente o terreno, sem mandado judicial.

“Quando a gente tava chegando pra mesa de negociação, eles fizeram um verdadeiro cerco à ocupação”, conta Izadora. Todas as entradas foram fechadas por barreiras onde eram barrados água, comida e materiais que pudessem ser usados para estruturar as barracas — até mesmo almofadas foram confiscadas pela polícia.

O MTST exige a saída imediata da Guarda Civil Metropolitana do local da Ocupação Marielle e Anderson Vivem e que o poder público suspenda a liminar de reintegração do terreno. O movimento reforça que a integridade física das famílias no local pode estar em risco.

Não nos calarão!

MTST, A LUTA É PRA VALER

 

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