MTST

Frente de Resistência Urbana: um novo espaço de integração das lutas no continente

Surge das resistências territoriais urbanas latino-americanas um novo espaço de integração das lutas no continente: a Frente de Resistência Urbana. E o MTST é parte dele. Vejam a declaração a seguir

Frente da resistência urbana
Territórios para a Vida Digna e o Bem Viver.

Movimentos urbanos do continente nos encontramos em São Paulo nos dias 8, 9 e 10 de dezembro, no âmbito dos 20 anos do Movimento dos Trabalhadores dos Sem-Teto (MTST) do Brasil, com o objetivo de continuar a aprofundar o caminho da unidade latino-americana. Seguimos de pé lutando na construção de um projeto para as maiorias populares. Entendemos que, para que exista uma verdadeira liberdade, é necessário garantir as condições para uma vida digna, em que todas as capacidades humanas podem ser desenvolvidas. Essa liberdade que sonhamos, o capitalismo nega, criminaliza e destrói em todas as latitudes do mundo.

Estamos diante de um novo momento de correlação de forças em nosso continente, há uma contra-ofensiva do imperialismo diante dos povos de nossa América. Nesse sentido, a chegada da Organização Mundial do Comércio (OMC) à Argentina fortalece os laços da direita e o capital internacional.

O avanço econômico, político, ideológico, repressivo e cultural manifesta-se na tentativa de acabar com nossas liberdades e direitos refletidos na fraude eleitoral que nega a vontade popular em Honduras, deixando para trás a repressão, perseguição e assassinato de irmãos e irmãs perpetradas pelo regime.

O capitalismo está a avançar a passos largos, com as suas cidades mercantilizadas onde tudo funciona em relação ao valor do m2, onde um novo modelo de destruição e deslocamento que expulsa os setores populares é vivido. Mas o modelo das cidades está em disputa. Frente a essas metrópoles de expulsão, os setores populares criam o modelo da revolução urbana: cidades onde o protagonismo popular é a solução para os problemas que enfrentamos hoje, onde construímos uma vida digna, para um bem viver, cidades que contemplam novas formas de produção , comercialização, habitação, educação, cultura, trabalho.

Ainda temos o desafio de avançar para a integração popular urbana em todo o continente de nossa América. A luta pela liberdade é a luta das pessoas e devemos encontrar formas de articular e coordenar, criar um projeto comum de socialismo, feminismo e soberania popular que prefigura práticas concretas que nos permitem opor-nos ao projeto do capitalismo, do imperialismo e o patriarcado, o projeto dos ricos e poderosos no continente. Não podemos delegar nossas lutas, devemos ser protagonistas, “a libertação do povo será o trabalho da luta e a organização das próprias pessoas”, portanto, a tarefa é conhecer, conhecer, articular e coordenar.

Nós somos as e os despossuídos das cidades, os povos que se organizam para defender o território, aqueles que ainda lutam pela liberdade, que começaram a construir a Frente de Resistência Urbana pelos Territórios para a Vida Digna e o Bem Viver.

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