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Com coordenadora do MTST | Chapa coletiva com cinco mulheres feministas é eleita em Pernambuco

Jô Cavalcanti, coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto, é quem vai, formalmente, ocupar a tribuna da casa

Divulgação

A maior novidade da eleição proporcional em Pernambuco foi a vitória da chapa coletiva Juntas (PSOL). São cinco mulheres feministas de variados segmentos e com trajetórias diferentes. Elas tiveram 39.171 votos e vão ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Será a primeira experiência de um mandato coletivo no estado. As co-deputadas vão ganhar exatamente a mesma remuneração e dividir as tarefas para exercício do cargo eletivo. Formalmente, quem vai ocupar a tribuna da Casa e participar das votações é a ambulante Jô Cavalcanti. A imagem dela com o nome Juntas foi escolhida para aparecer na urna de votação.

Filha de pai feirante e mãe empregada doméstica, é coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto (MTST). Participa do mandato também Robeyoncé Lima, a primeira advogada trans de Pernambuco. Militante LGBT, negra e feminista, integra a Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE).

Há ainda Kátia Cunha, sindicalista da área de educação e professora da rede estadual de ensino. Completam a chapa a jornalista e realizadora do audiovisual Carol Vergolino, integrante do Conselho Estadual de Cultura e da diretoria da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), e a estudante Joelma Carla, que foi candidata a vereadora em Surubim, agreste do estado, aos 18 anos. Atualmente, ele cursa Letras na Universidade Federal Rural de Pernambuco e faz curso técnico em Biblioteconomia.

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, elas prometem projetos ligados a temas como o enfrentamento ao racismo, direito à educação e à comunicação, comércio informal, LGBTI, moradia, direito à cultura e nova política de drogas. Os mandados coletivos encontram amparo legal na resolução 23.548 do Tribunal Superior Eleitoral, que exige um número na urna para cada candidatura, sem qualquer tipo de impedimentos a iniciativas neste formato.

Há algumas experiências semelhantes no Brasil. Em Alto Paraíso, Goiás, cinco pessoas dividem um mandato de vereador na cidade. Em Belo Horizonte, existe a Muitas. As vereadores Áurea Carolina (PSOL) e Cida Falabela (PSOL) exercem o cargo eletivo desde 2017. Áurea conseguiu nesta eleição uma vaga na Câmara Federal.

 

 

Por João Valadares

Fonte: Folha de S. Paulo

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