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Após atentado a tiro, poder público de Aracaju transfere famílias do MTST para galpão; negociações continuam

Coordenador nacional do MTST e pré-candidato à Presidência, Guilherme Boulos deve participar da negociação com a Prefeitura nesta segunda-feira

Desde a madrugada de 12 de maio, Guarda Civil Municipal, Polícia Militar do Sergipe, cavalaria e pelotão de choque cercaram o terreno da Ocupação Marielle e Anderson Vivem com mais de 500 homens para a reintegração de posse. A autorização judicial havia saído na terça-feira, dia 8, mas a juíza da 12ª Vara Cível de Aracaju, Hercília Maria Fonseca Lima Brito, condicionou a retirada das famílias à apresentação de um plano de realocação.

Apesar de não atender as contrapartidas impostas pela justiça, a gestão do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) adiantou a reintegração após o atentado a tiro contra os acampados. Nathannely dos Santos, 18 anos, havia sido atingida na caixa toráxica por uma bala de arma letal disparada por um membro da Guarda Municipal, na noite da última sexta, 11, enquanto cozinhava. Ela foi operada e teve a bala retirada, e agora passa bem.

Diante da iminente invasão das forças policiais e com as famílias dispostas a resistir, o MTST firmou acordo com a Prefeitura de Aracaju para realocar provisoriamente as centenas de pessoas do acampamento para um galpão na rua Acre, bairro Siqueira Campos, onde foram cadastradas. Elas receberam transporte, comida e água.

Nunca na história de Aracaju houve uma reintegração de posse em que toda a polícia do estado estivesse envolvida. Era um contingente absurdo muito, muito grande“, conta a advogada do MTST Sergipe, Izadora Brito. Ela ressaltou que a exigência inicial do movimento após o atentado da GCM era a saída imediata dos policiais do terreno e o cancelamento da reintegração.

Lutadoras e lutadores da Ocupação Beatriz Nascimento que, em solidariedade à Ocupação Marielle e Anderson Vivem, trancaram por duas horas a ponte Aracaju – Socorro

Na próxima segunda-feira, dia 14 de maio, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto vai se encontrar com a gestão municipal para negociar uma solução definitiva para os seus acampados. De passagem pela capital sergipana, o coordenador nacional do MTST e pré-candidato à Presidência do Brasil, Guilherme Boulos também deve participar.

O clima de tensão e terror imposto pela GCM do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) foi instalado desde o início da ocupação do MTST, no dia 4 de maio. Desde então, a escalada de violência que contou com cerco, vigilância ostensiva, xingamentos, revistas e ameaças de invasão chegou ao seu ápice com o atentado que vitimou Nathannely.

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Veja abaixo a nota do MTST Sergipe

Ocupação Marielle e Anderson Vivem!

Após vários dias cercada por mais de 500 policiais destacados para impedir a luta dos sem teto num terreno público sem função social abandonado há décadas, a Ocupação Marielle e Anderson Vivem entrou em acordo com a Prefeitura de Aracaju no intuito de evitar a reintegração de posse violenta e mais derramamento de sangue – na noite última sexta, 11, a jovem Nathanelly foi atingida no tórax por um tiro disparado pela Guarda Civil Municipal enquanto trabalhava na cozinha.

 Ao contrário do que a administração de Edvaldo Nogueira tentava passar à imprensa e à população, 7 ônibus repletos de gente que não tem medo de lutar por seus direitos deixaram o terreno na Coroa do Meio.

Edvaldo apostou no discurso de que o movimento era vazio e tratou uma questão social como caso de polícia. Reprimiu e criminalizou. As mais de 350 pessoas presentes no galpão da rua Acre, porém, provam que tudo que o prefeito do PCdoB queria era jogar a população aracajuana contra os sem teto. Importante salientar que o episódio do tiro na companheira ‘Nielle’ foi conveniente para a Prefeitura, pois centenas de famílias desistiram com medo da repressão, mas entendendo como a gestão da Prefeitura trata os mais pobres.

Com a retirada das famílias, Edvaldo se comprometeu em apresentar uma proposta concreta aos ocupantes e ao MTST em reunião na próxima segunda, 14. Queremos ver se o prefeito de Aracaju tem palavra. A luta não acabou.

MTST, A LUTA É PRA VALER

 

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