Às tecelãs do futuro
Às tecelãs do futuro
Hoje mais uma vez os cães de guerra do estado
Mostraram seus dentes e pela usual covardia
Tentaram, com balas e bombas,
Calar a voz transparente, o evidente grito contido
Que atravessa os tempos, qual arco íris de lamentos,
E desde os navios negreiros
A indignação é a dinamite
De um povo humilhado e excluído.
Soube do meu companheiro
que teve o pescoço cortado na fuga.
Ah, cães!
A guilhotina espera ansiosa o som
Das suas cabeças separadas de suas fardas
Será que só assim elas serão iguais a todas as cabeças?
Quanto sangue se exigirá por alguns direitos?
Um dia estaremos cansados
De assistir aos que nada tem...
Um dia eles estarão cansados,
De esperar por migalhas...
Soube dos outros feridos e pensei
Será que, mais que cansados, não estamos fartos?
A revolta se inscreve
como epiderme do cotidiano.
Nosso chão é a negatividade
Já sabemos soletrar: n-u-n-c-a.
Saberemos lapidar basta! na pedra do discurso?
Vi outro companheiro meu algemado
E senti o coração revolto, subir até a testa
Um dia estaremos cansados,
E aí não poderemos
Ignorar que a história
Pede o sangue frio e a paciência
Das costureiras...

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