Poesias

Mar
26

Às tecelãs do futuro

Às tecelãs do futuro


Hoje mais uma vez os cães de guerra do estado
Mostraram seus dentes e pela usual covardia
Tentaram, com balas e bombas,
Calar a voz transparente, o evidente grito contido
Que atravessa os tempos, qual arco íris de lamentos,
E desde os navios negreiros
A indignação é a dinamite
De um povo humilhado e excluído.

Soube do meu companheiro
que teve o pescoço cortado na fuga.

Ah, cães!
A guilhotina espera ansiosa o som
Das suas cabeças separadas de suas fardas
Será que só assim elas serão iguais a todas as cabeças?
Quanto sangue se exigirá por alguns direitos?
Um dia estaremos cansados
De assistir aos que nada tem...
Um dia eles estarão cansados,
De esperar por migalhas...

Soube dos outros feridos e pensei
Será que, mais que cansados, não estamos fartos?
A revolta se inscreve
como epiderme do cotidiano.
Nosso chão é a negatividade
Já sabemos soletrar: n-u-n-c-a.
Saberemos lapidar basta! na pedra do discurso?

Vi outro companheiro meu algemado
E senti o coração revolto, subir até a testa
Um dia estaremos cansados,
E aí não poderemos
Ignorar que a história
Pede o sangue frio e a paciência
Das costureiras...

Mar
26

Para refletir sobre os impasses do sindicalismo

Para refletir sobre os impasses do sindicalismo
Texto escrito por um guerreiro sem teto


"Senhores cansados de luta
Valeram suas conquistas
Mas se seguirem na frente
Nos prejudicam a vista
Dêem-nos, então passagem
Desobstruam as ruas
Pois maior que o cansaço
A nossa luta continua."

Mar
26

Terra (ao acampamento Chico Mendes/Taboão da Serra)

Terra (ao acampamento Chico Mendes/Taboão da Serra)
Sales de Azevedo


Quando olhei a terra sem os barracos
Deu vontade de chorar sim
Destroçados madeirite caibro sarrafos
Por que tiraram aquele povo dali

Uma terra que aguarda a semente
Para um povo se erguer
Faz brilhar nos olhos duma gente
O direito de viver

E esta mesma terra donde a vida se inicia
Donde a mesma se encerra
É vetada ao povo e improdutiva fica
Nas mãos de um que a gerações a herda

Este que só percebe que ela existe
Quando a massa necessita dela
Usa força e artifícios assim não desiste
Mesmo que sangue escorra pela terra.

Tantas riquezas são geradas
Do suor desta multidão
Mas esta massa é renegada
Negam_lhe a fonte de gerar o pão.

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